Terça, 29 Abril 2014 22:14

Inflação da salada dispara com a falta de chuvas

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Alface já subiu mais de 50% desde o início do ano, enquanto o tomate aumentou 40% e a couve 31,8%; inflação acumulada na Grande São Paulo é de 6,4% em 12 meses

 

Do Estadão

 

O custo de vida na Grande São Paulo já acumula alta de 6,4% em doze meses segundo pesquisa da Federação do Comércio de São Paulo.

Pressionados por fatores climáticos, especialmente a falta de chuvas, o setor de alimentos registra alta sazonal de preços acima do esperado por causa da queda na produção e da qualidade ofertada.

A alface, por exemplo, já acumula alta de 50,8% somente neste ano, enquanto o tomate subiu 40%. Outras altas que chamam a atenção no ano foram a da laranja pera (35,4%), couve (31,8%), repolho (29,5%) e cheiro verde (26,8%).

A pesquisa Custo de Vida por Classe Social (CVCS), feita pela Federação do Comércio na área dos municípios da Grande de São Paulo, aponta alta de preços de 0,91% em março. 

Apesar de representar um recuo diante do 1,05% registrado em fevereiro, a taxa é mais de duas vezes e meia maior que a apontada em março de 2013, de 0,36%. 

Além do setor de alimentos e bebidas, que aumentou 1,98% entre fevereiro e março, os grupos de transportes, com alta de 1,69%, e de vestuário, cujos preços subiram 1,19%, foram os que mais contribuíram para o resultado geral. 

De acordo com a assessoria econômica da FecomercioSP, as condições climáticas desfavoráveis - ausência de chuvas e forte calor - afetaram a qualidade e a quantidade produzida de diversos alimentos in natura, pressionando os valores praticados no mercado.



Transportes. No caso dos transportes, os principais vilões foram os aumentos dos preços de combustíveis, de passagens aéreas e de serviços de manutenção de veículos.

Despesas pessoais e habitação tiveram pouco impacto na inflação geral, com elevações médias no mês de 0,56% e de 0,23%, respectivamente. O segmento de saúde teve aumento de 0,11% e, com variação de apenas 0,07%, os grupos de educação e de artigos do lar permaneceram, em certa medida, estáveis no período. 

Das nove categorias que compõem o CVCS, somente comunicação apresentou queda de preços, de 1,39% no mês.

As classes de renda mais baixas foram as que sofreram os maiores efeitos da inflação de março. Enquanto o custo de vida para integrantes da classe A subiu 0,76%, entre os pertencentes às classes D e E aumentou 1,16% e 1,1%, respectivamente. Já para a classe C, a inflação atingiu 0,93% e para a classe B, 0,78%.

IPV. Pouco acima do porcentual verificado para o CVCS, o Índice de Preços do Varejo (IPV) - um de seus sub indicadores - avançou 1,14% em março. Trata-se da primeira aceleração desde dezembro e conforme previsto pela Federação, a tendência de arrefecimento constatada nos dois primeiros meses do ano poderia não ser mantida, sobretudo com a pressão provocada pela estiagem das lavouras e consequente alta de preços de alimentos in natura.

Os grupos de alimentos e bebidas, com elevação de preços de 2,68%; de transportes, com alta de 1,26%; e de vestuário, cujo aumento atingiu 1,19%, foram os de maior contribuição na composição do IPV. 

Ainda no campo positivo, mas próximas da estabilidade, ficaram as atividades de educação, com crescimento de 0,21%, e de habitação, que registrou variação de 0,08%. Artigos do lar e despesas pessoais praticamente não tiveram alteração de preços, caindo 0,01% e 0,07%, respectivamente. Apenas o grupo de saúde e cuidados pessoais registrou baixa mais significativa, de 0,28%.



IPS. Em março, ao contrário do que aconteceu em fevereiro, quando serviços pressionaram mais a inflação do que produtos, o Índice de Preços de Serviços (IPS), com aumento de 0,66%, ficou bem abaixo do IPV, o que serviu para segurar um pouco uma variação ainda maior do CVCS.

Os segmentos que mais contribuíram para o resultado foram os de transportes, com porcentual de variação de 2,44%; de artigos do lar, com aumento de 1,15%; de alimentos e bebidas, cuja alta foi de 0,95%; e de despesas pessoais, que teve preços elevados em 0,88%. Na atividade de comunicação houve deflação de 1,39%. Para as demais atividades, as taxas de inflação foram de 0,06% (educação), de 0,27% (habitação) e de 0,63% (saúde e cuidados pessoais).

Metodologia. O Custo de Vida por Classe Social (CVCS), formado pelo Índice de Preços de Serviços (IPS) e pelo Índice de Preços do Varejo (IPV), utiliza informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE e contempla as cinco faixas de renda familiar (A, B, C, D e E) para avaliar os pesos e os efeitos da alta de preços na região metropolitana de São Paulo em 247 itens de consumo. 

A estrutura de ponderação é fixa e baseada na participação dos itens de consumo obtida pela POF de 2008/2009 para cada grupo de renda e para a média geral. O IPS avalia 66 itens de serviços e o IPV, 181 produtos de consumo.
 
As faixas de renda variam de acordo com os ganhos familiares: até R$ 976,58 (E); de R$ 976,59 a R$ 1.464,87 (D); de R$ 1.464,88 a R$ 7.324,33 (C); de R$ 7.324,34 a R$ 12.207,23 (B); e acima de R$ 12.207,24 (A). Esses valores foram atualizados pelo IPCA de janeiro de 2012. 

Para cada uma das cinco faixas de renda acompanhadas, os indicadores de preços resultam da soma das variações de preço de cada item, ponderadas de acordo com a participação desses produtos e serviços sobre o orçamento familiar.

Fonte: do Estadão Economia. Link: http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,inflacao-da-salada-dispara-com-a-falta-de-chuvas,183259,0.htm

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